Dois dias após criticar a pressão que vinha recebendo para se posicionar sobre as eleições de 2026, Anitta voltou a falar publicamente sobre o assunto. Desta vez, a cantora, que já havia detonado o candidato ao governo do Rio de Janeiro, Garotinho, usou seu perfil do Instagram para reafirmar seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticar o bolsonarismo.
No vídeo, a artista comentou o resultado do primeiro turno das eleições de 2026, admitiu que esperava uma vitória de Lula no primeiro turno e explicou por que não considera o movimento ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro como parte da direita tradicional. Ela também condenou o uso da religião em disputas eleitorais e questionou a influência de discursos políticos nas redes sociais.
Durante o pronunciamento, Anitta confirmou que seu voto foi no presidente Lula: "O meu voto é 13, o meu voto é Lula. Porque não tem como ser diferente disso, diante de todas as circunstâncias que o Brasil tá vivendo agora", afirmou.
A artista, que há semanas foi criticada por uma atitude no 'Domingão', também reconheceu que subestimou a força eleitoral dos adversários do presidente, especialmente Flávio Bolsonaro. Antes da votação, Anitta acreditava que Lula conseguiria vencer já no primeiro turno, mas disse ter revisto sua expectativa após o resultado das urnas.
"Eu confesso que esse ano eu fui bem ingênua, eu estava convicta de que o Lula ia ganhar no primeiro turno, por uma arrogância minha mesmo, de achar impossível em 2026 a maioria do país ainda dar credibilidade ao bolsonarismo, mas eu estava errada, né, é importante a gente reconhecer, descer do salto", declarou.
Um dos principais pontos do discurso foi a distinção que Anitta fez entre a direita tradicional e o bolsonarismo. Na avaliação da cantora, o movimento associado a Jair Bolsonaro contribuiu para aumentar a polarização política e os conflitos entre pessoas com opiniões diferentes.
"O bolsonarismo vive de um mercado que influencia a população através das redes sociais, com base religiosa, radical, e que usa de toda essa complexidade pra confundir o cidadão", afirmou Anitta que, para explicar sua posição, comparou as eleições anteriores às de 2018.
"Nessa época, a direita e a esquerda, elas disputavam, e no fim, cada um aceitava o resultado das votações, parabenizava educadamente seu opositor, e vida que segue. Política, isso é política. Mas quem começou isso foi o bolsonarismo. Por isso que eu não chamo o bolsonarismo de direita, não chamo, chamo de bolsonarismo. Porque a direita, ela sempre existiu, e as coisas não eram assim", disparou.
Em seu pronunciamento, a cantora também criticou o uso da religião para influenciar opiniões políticas, sobretudo entre os evangélicos, grupo tradicionalmente bolsonarista: "Devia ser considerado crime".
Outro alvo do pronunciamento foi a aproximação de setores bolsonaristas com o governo dos Estados Unidos. Sem citar o presidente norte-americano Donald Trump ou algum político específico brasileiro, a cantora criticou o que considera uma postura de submissão aos interesses estrangeiros.
"O bolsonarismo apresenta bafafá midiático, idolatria ao país estrangeiro, incita a briga entre as pessoas. É o fanatismo ao governo estadunidense ao ponto de entregar nosso país e toda a nossa riqueza nas mãos de um cara que tá cagando e andando pro Brasil e pro povo brasileiro", afirmou Anitta.
Já ao falar sobre seu apoio a Lula, a artista relembrou suas políticas sociais: "O fato de você enxergar as problemáticas políticas em torno do Lula, que não podem ser ignoradas, né, isso não pode apagar os benefícios que os projetos dele trouxeram e ainda trazem há anos pra tantas pessoas necessitadas".
Durante o vídeo, a artista também comentou sobre sua posição política que, segundo ela, já rendeu a perda de muitos seguidores: "Sem medo. Perdendo milhões de seguidores, não é milhares, é milhões. Porque eu nunca tive medo", disparou Anitta, entregando um conselho valioso que recebeu de uma amiga.
Anitta citou ainda pautas que apoiou ao longo de 2026, como os direitos das mulheres, a defesa dos povos indígenas, a preservação ambiental, o combate ao racismo religioso e a redução da jornada de trabalho. A cantora também mencionou sua participação em iniciativas relacionadas ao fim da escala 6x1.
Já no fim do pronunciamento que durou 5 minutos, Anitta afirmou: "Posicionamento não é um dia, não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trend na internet. Posicionamento é todos os dias". Veja na íntegra: